Ômega-3
Ácidos graxos EPA e DHA com comprovada ação anti-inflamatória, cardioprotetora e neuroprotetora.
Resumo rápido
Quantidade
120 caps
Frequência
Diário
Como costuma ser usado
Saúde geral e cardioproteção: 1–2g/dia de EPA+DHA, via oral, com refeição principal. Anti-inflamatório e performance esportiva: 3–4g/dia de EPA+DHA divididos em 2 tomadas com refeições. Hipertrigliceridemia e protocolo terapêutico: 4g/dia de EPA+DHA sob supervisão médica (equivalente a formulações farmacêuticas como Vascepa/Omacor). Uso contínuo e indefinido — não há necessidade de ciclar. Saúde mental e neuroproteção: 2–3g/dia com predominância de EPA. Gestantes: 200–300mg/dia de DHA no mínimo, com orientação obstétrica.
Como funciona
Os ácidos graxos EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosahexaenoico) incorporam-se aos fosfolipídios das membranas celulares, competindo com o ácido araquidônico (AA) pelo substrato das enzimas COX-2 e LOX-5, deslocando a produção de eicosanoides pró-inflamatórios (prostaglandinas E2, leucotrienos B4) em favor de resolvinas, protectinas e maresinas — mediadores lipídicos especializados na resolução ativa da inflamação. O DHA concentra-se predominantemente no córtex cerebral e retina, modulando fluidez de membranas neuronais, transmissão sináptica dopaminérgica e serotoninérgica, e expressão de BDNF; o EPA exerce ação anti-inflamatória sistêmica mais pronunciada e influencia a produção de TNF-α, IL-1β e IL-6 via inibição do fator nuclear NF-κB. Adicionalmente, EPA e DHA ativam receptores nucleares PPAR-α e PPAR-γ, modulando a expressão gênica do metabolismo lipídico hepático, reduzindo síntese de triglicerídeos (via inibição de SREBP-1c) e aumentando beta-oxidação mitocondrial.
Benefícios e riscos
Benefícios relatados
- Redução dose-dependente de triglicerídeos plasmáticos em 20–50% com doses de 2–4g/dia de EPA+DHA — mecanismo mais robusto e consistente na literatura cardiológica
- Efeito anti-inflamatório sistêmico clinicamente relevante em doses ≥4g/dia de EPA+DHA, com redução de PCR, IL-6 e TNF-α — aplicável em condições inflamatórias crônicas, artrite e recuperação esportiva
- Melhora da função endotelial e redução discreta da pressão arterial sistólica (2–4 mmHg) por modulação da produção de óxido nítrico e tromboxano A2
- Redução de eventos cardiovasculares maiores (MACE) documentada em populações de alto risco no estudo REDUCE-IT com icosapentaenoato de etila em dose alta (4g/dia)
- Neuroproteção e suporte cognitivo: DHA mantém integridade estrutural das membranas neuronais, com associação a menor risco de declínio cognitivo, depressão e TDAH em múltiplos estudos epidemiológicos e ensaios clínicos
- Redução da degradação proteica muscular pós-exercício e atenuação do DOMS (dor muscular de início tardio) por inibição de vias inflamatórias prostaglandina-dependentes
- Melhora da sensibilidade à insulina e perfil glicêmico em indivíduos com resistência insulínica e síndrome metabólica via ativação de PPAR-γ
- Desenvolvimento e acuidade visual em gestantes e lactantes: DHA é componente estrutural essencial da retina fetal
- Modulação positiva da composição corporal em estudos com atletas: redução de gordura visceral e potencialização da síntese proteica muscular em combinação com proteína e exercício
Riscos e efeitos colaterais
- Halitose e refluxo com 'gosto de peixe' (fish burp) são os efeitos adversos mais comuns — mitigáveis com cápsulas entéricas, uso com refeição gordurosa e armazenamento refrigerado
- Risco hemorrágico aumentado em doses muito elevadas (>6–8g/dia de EPA+DHA) ou em combinação com anticoagulantes (varfarina, heparina) e antiplaquetários (AAS, clopidogrel) — monitoramento do INR recomendado
- Oxidação lipídica: produtos de baixa qualidade ou armazenados incorretamente podem conter ômega-3 rancificado, gerando aldeídos pro-oxidantes e potencialmente pró-inflamatórios — verificar TOTOX e certificações IFOS
- Elevação discreta de LDL-colesterol observada em alguns estudos com EPA+DHA em altas doses, especialmente em indivíduos com hipertrigliceridemia severa — efeito variável e clinicamente debatido
- Supressão imunológica teórica em doses muito elevadas e crônicas (>6g/dia): imunossupressão leve por redução de leucotrienos B4, com potencial relevância em infecções bacterianas — sem significância clínica nas doses usuais
- Contaminantes ambientais (mercúrio, PCBs, dioxinas) em produtos de baixa qualidade derivados de peixes grandes — risco mitigado com produtos de pequenos pelágicos (sardinha, anchova) e com selos de pureza molecular
- Interação com hipoglicemiantes: possível potencialização do efeito em diabéticos tipo 2, com risco de hipoglicemia em uso concomitante — monitoramento glicêmico recomendado
Notas importantes
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