Glicina
Aminoácido com múltiplas funções: neurotransmissor inibitório, precursor de colágeno e promotor de sono profundo.
Resumo rápido
Quantidade
300 g
Frequência
Diário
Como costuma ser usado
Uso principal para sono: 3g em pó dissolvido em 150–200ml de água, administrado por via oral 30–60 minutos antes de dormir, de forma contínua sem necessidade de pausa. Para suporte ao tecido conjuntivo e colágeno: 5–10g/dia divididos em 1–2 tomadas, preferencialmente junto às refeições ou 30–60 min antes de treino quando combinado com colágeno hidrolisado. Para suporte metabólico e hepático: 3–5g/dia com as refeições. Não há ciclo obrigatório; uso diário contínuo é o protocolo mais comum.
Como funciona
A glicina atua como neurotransmissor inibitório no tronco encefálico e medula espinhal, ligando-se a receptores glicinérgicos ionotrópicos (GlyR) acoplados a canais de cloreto, hiperpolarizando a membrana neuronal e reduzindo a excitabilidade. No sistema nervoso central, também modula receptores NMDA como co-agonista obrigatório no sítio de glicina, influenciando plasticidade sináptica e qualidade do sono profundo via redução da temperatura corporal central. Como precursor metabólico, é substrato essencial para síntese de colágeno (representando ~33% dos aminoácidos do colágeno), glutationa, creatina, porfirinas e purinas, além de participar da conjugação hepática de ácidos biliares e detoxificação de xenobióticos.
Benefícios e riscos
Benefícios relatados
- Redução do tempo de latência do sono e melhora da qualidade do sono profundo (estágios N3/SWS) via redução da temperatura corporal central
- Suporte à síntese de colágeno tipos I, II e III, beneficiando pele, tendões, ligamentos e cartilagem
- Ação neuroprotetora e modulação do receptor NMDA, potencialmente útil em condições de hiperexcitabilidade neural
- Contribuição para síntese endógena de glutationa (GSH), o principal antioxidante intracelular, junto com cisteína e ácido glutâmico
- Suporte hepático via conjugação de ácidos biliares (ácido glicocólico) e detoxificação de compostos como benzoato e ácido salicílico
- Participação na biossíntese de creatina (com arginina e metionina), favorecendo metabolismo energético muscular
- Efeitos anti-inflamatórios moderados por inibição de ativação de macrófagos via receptores glicinérgicos em células imunes
- Potencial melhora de sensibilidade à insulina e metabolismo glicêmico em contextos de síndrome metabólica
Riscos e efeitos colaterais
- Doses muito elevadas (>10g/dia) podem causar sedação excessiva, sonolência diurna residual e lentidão cognitiva em indivíduos sensíveis
- Interação farmacodinâmica com benzodiazepínicos, barbitúricos e outros depressores do SNC, potencializando efeito sedativo
- Pacientes com insuficiência renal crônica devem usar com cautela, pois o metabolismo de aminoácidos pode ser comprometido e amônia pode se acumular
- Raro risco de hipotensão leve devido ao efeito vasodilatador da glicina em doses elevadas
- Em indivíduos com histaminose ou sensibilidade a aminoácidos, pode haver desconforto gastrointestinal (náusea, distensão) em doses acima de 5g
- Uso prolongado em doses altas sem monitoramento pode desequilibrar o perfil de aminoácidos plasmáticos, competindo com outros aminoácidos no transporte intestinal
Notas importantes
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