MGF
Mechano Growth Factor. Variante splice do IGF-1 produzida localmente no músculo após dano mecânico (treino). Ativa células satélite para reparo e hiperplasia.
Este guia compila literatura científica publicada, protocolos de pesquisa e experiências documentadas. Não substitui orientação médica profissional — use como ponto de partida para identificar fontes primárias. As referências estão na seção final de cada página.
Resumo rápido
Convenção: seringa de insulina U-100 — 1 mL = 100 UI
Frasco
2 mg
Dose comum
200 mcg
Frequência
Diário
Via
Subcutânea
Concentração
1 mg/mL
Validade reconst.
60 dias
Armazenamento
Refrigerar 2–8°C
Reconstituição e cálculo de dose
Os valores partem do que você informar — nada é prescrito
Diluente especial — ácido acético 0,6%
MGF (Mechano Growth Factor) se degrada rapidamente em água bacteriostática. Reconstituição preferencial: 1–2 mL de ácido acético 0,6%. Dilua a dose em salina isotônica ou BAC water antes de aplicar no músculo-alvo. Janela de ação muito curta (~minutos) — aplicar imediatamente pós-treino no músculo trabalhado.
⚠ IM local (no músculo trabalhado) para efeito parácrino máximo. SC sistêmico reduz significativamente a eficácia.
Dados do frasco
Passos de reconstituição
- 1Higienize as mãos e a bancada; limpe a tampa do frasco com swab de álcool.
- 2Aspire 2 mL de ácido acético 0,6% com seringa estéril.
- 3Injete o ácido acético lentamente pela parede interna do frasco, sem mirar diretamente no pó.
- 4Gire o frasco suavemente até dissolver — nunca agite ou chacoalhe.
- 5Antes de injetar: dilua a dose em 0,5–1 mL de solução salina ou água bacteriostática para neutralizar o pH.
- 6Rotule com a data e guarde refrigerado (2–8°C).
Materiais necessários
- Frasco de MGF (2 mg)
- Ácido acético 0,6% estéril (para reconstituição)
- Solução salina 0,9% ou BAC water (para diluir a dose antes de injetar)
- Seringa estéril (1–3 mL) para reconstituir
- Seringa de insulina U-100 para medir a dose
- Swabs de álcool 70%
- Recipiente para descarte de perfurocortantes
Como funciona
O MGF (Mechano Growth Factor) é uma variante splice do gene IGF-1 gerada localmente no tecido muscular em resposta ao estresse mecânico e microlesões induzidas pelo treino de resistência. Seu peptídeo E único (domínio C-terminal) se liga a receptores específicos nas células satélite musculares — distintos do receptor clássico de IGF-1 (IGF-1R) — ativando as vias PI3K/Akt e MAPK/ERK, o que culmina na proliferação celular e supressão da apoptose nessas células-tronco musculares. Subsequentemente, a fração IGF-1 da molécula sinaliza via IGF-1R ativando mTORC1 e a cascata p70S6K, promovendo síntese proteica e diferenciação miogênica para fusão com fibras musculares existentes ou formação de novas fibras (hiperplasia).
Como costuma ser usado
Dose habitual
100–200 mcg/músculo · 1x/dia
Timing
Imediatamente pós-treino (janela de 30 min)
Ciclo
4–6 semanas
Combo ideal
IGF-1 LR3
›Meia-vida ~5–7 min — aplicar logo após preparar. Reconstituir com ácido acético 0,6%.
Protocolo de dosagem
Iniciante → Intermediário → Avançado
| Nível | Dose | Frequência | Via |
|---|---|---|---|
| Iniciante | 100 mcg/músculo | 1x/dia · imediatamente pós-treino | IM local (no músculo trabalhado) |
| Intermediário | 150 mcg/músculo | 1x/dia · imediatamente pós-treino | IM local |
| Avançado | 200 mcg/músculo | 1x/dia · imediatamente pós-treino | IM local (no músculo trabalhado) |
Iniciante:Meia-vida ~5–7 min — aplicar logo após preparar
Intermediário:Reconstituir com ácido acético 0,6% — degrada em BAC water
Avançado:Combinar com IGF-1 LR3 em dias alternados
›Meia-vida ultra-curta (~5–7 min) — aplicar IMEDIATAMENTE após preparar, no músculo trabalhado. Reconstituir com ácido acético 0,6% — em BAC water se degrada rapidamente. Janela de ação de 30 min pós-treino.
Benefícios e riscos
Benefícios relatados
- Ativação rápida e localizada de células satélite musculares dormentes no músculo-alvo injetado
- Estímulo à hiperplasia muscular verdadeira pela fusão de mioblastos diferenciados a fibras existentes e formação de novas fibras
- Aceleração significativa do reparo de microlesões induzidas pelo treinamento, reduzindo tempo de recuperação entre sessões
- Aumento da síntese proteica local via ativação de mTORC1 e supressão do catabolismo proteico pós-esforço
- Efeito altamente seletivo e localizado no músculo injetado, minimizando ação sistêmica indesejada
- Sinergia direta com o treinamento de resistência — a resposta é amplificada quando a janela pós-treino é respeitada
- Manutenção e expansão do pool de células satélite musculares, contribuindo para adaptações de longo prazo à hipertrofia
- Potencial efeito anti-apoptótico nas células musculares danificadas, preservando massa em períodos de estresse catabólico
Riscos e efeitos colaterais
- Meia-vida plasmática extremamente curta (~2–7 minutos em solução aquosa), exigindo timing preciso de aplicação e reconstituição adequada para garantir mínima eficácia
- Degradação acelerada em água bacteriostática com álcool benzílico — reconstituição inadequada inativa o peptídeo antes da injeção
- Dor, inflamação local e possível formação de nódulos no sítio de injeção intramuscular, especialmente com volumes ou concentrações elevadas
- Risco teórico de estimulação proliferativa descontrolada em tecidos com células-tronco comprometidas ou em indivíduos com histórico oncológico (contraindicação relativa)
- Escassez de estudos clínicos controlados em humanos — a maioria das evidências provém de modelos in vitro e animais, limitando a extrapolação de dose-resposta segura
- Potencial hipoglicemia leve via sinalização residual no IGF-1R em doses elevadas, especialmente em jejum ou em combinação com insulina
- Qualidade e autenticidade do produto variam amplamente entre fornecedores de pesquisa, com risco de contaminação ou sequência incorreta do peptídeo
Linha do tempo esperada
Dias 1–5: Sem efeitos perceptíveis; peptídeo age subcelularmente ativando células satélite no músculo injetado → Sem 1–2: Redução subjetiva da dor muscular tardia (DOMS) e percepção de recuperação mais rápida entre sessões de treino → Sem 2–4: Início de maior congestão e sensação de 'fullness' no músculo-alvo; possível melhora de força localizada → Sem 4–6: Ganhos visíveis de volume no músculo-alvo, especialmente quando combinado com treino de alta frequência e dieta hipercalórica; hiperplasia incipiente → Pós-ciclo (off): Manutenção dos ganhos estruturais caso estímulo de treino e nutrição sejam mantidos; ausência de supressão hormonal endógena significativa
Técnica de aplicação
Aplicação subcutânea: pince a pele do abdômen ou coxa, insira a agulha em ângulo de 45–90°, aspire/injete devagar e faça rodízio dos locais a cada aplicação.
Armazenamento
- Após reconstituir: refrigere a 2–8°C, protegido da luz.
- Use em até 60 dias após a reconstituição.
- Frasco lacrado (liofilizado): válido por cerca de 730 dias quando bem armazenado.
- Descarte se a solução estiver turva, com partículas ou alterar de cor.
Notas importantes
Combinações
Combinações populares
- IGF-1 LR3 (ação complementar pós-ativação das células satélite: o MGF prolifera e o IGF-1 LR3 diferencia e hipertrofia as fibras, maximizando o ciclo completo de hiperplasia)
- PEG-MGF (cobertura sistêmica via PEG-MGF em dias de descanso + ação local do MGF puro nos dias de treino, garantindo ativação contínua do pool de células satélite)
- GH Recombinante / Somatropina (o GH amplifica a produção endógena de IGF-1 hepático e local, potencializando o ambiente anabólico no qual o MGF atua sinergicamente)
- BPC-157 (o BPC-157 acelera reparo de tecido conjuntivo, tendões e vasos locais, complementando a regeneração miofibrilar promovida pelo MGF sem sobreposição de mecanismos)
- Insulina (janela pós-treino: insulina direciona nutrientes para o músculo e ativa mTOR de forma independente, somando-se ao efeito proliferativo do MGF no mesmo período anabólico)
Suplementos complementares
- Creatina monoidratada, Leucina / BCAA, Proteína Whey hidrolisada, Glutamina, Vitamina D3 + K2, Magnésio quelato
Relacionados
Referências
- 1Sun KT, et al. Overexpression of Mechano-Growth Factor Modulates Inflammatory Cytokine Expression and Macrophage Resolution in Skeletal Muscle Injury. Front Physiol. 2018. DOI ↗
- 2Kuznetsova TV, et al. Producing human mechano growth factor (MGF) in Escherichia coli. Protein Expr Purif. 2007. DOI ↗
- 3Kandalla PK, et al. Mechano Growth Factor E peptide (MGF-E), derived from an isoform of IGF-1, activates human muscle progenitor cells and induces an increase in their fusion potential at different ages. Mech Ageing Dev. 2011. DOI ↗
- 4Tang JJ, et al. Mechano growth factor, a splice variant of IGF-1, promotes neurogenesis in the aging mouse brain. Mol Brain. 2017. DOI ↗
- 5Wei X, et al. Improved Muscle Regeneration into a Joint Prosthesis with Mechano-Growth Factor Loaded within Mesoporous Silica Combined with Carbon Nanotubes on a Porous Titanium Alloy. ACS Nano. 2022. DOI ↗
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Artigos obtidos do PubMed (NCBI). Os links levam ao DOI ou à ficha no PubMed.
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